Apesar de, desde sempre ter sido uma entusiástica apoiante do Partido Socialista, partido que, desde as primeiras eleições livres realizadas em Portugal, sempre contou com o meu voto, a minha participação activa nas suas actividades políticas começaram, efectivamente, com o acto eleitoral para as autarquias, em 2005, com os convites de Vítor Aleixo e Ezequiel Tomás para integrar as listas socialistas concorrentes à Câmara Municipal de Loulé e à Junta de Freguesia de Quarteira.
Foi uma adesão que me entusiasmou e abracei com grande excitação, integrada, então, em grupos doutras pessoas igualmente motivadas e arrebatadas.
O resultado foi pouco animador, já que, no final, as listas socialistas saíram derrotadas. Mas o bichinho do Política tinha-me contaminado e, logo a seguir, fiz questão de me inscrever como militante do PS, com a firme determinação de servir uma causa: a causa socialista, solidária, democrática, laica e republicana.
Mas em breve o meu entusiasmo foi aniquilado: as estruturas locais não funcionavam e, durante dois anos - de 2006 a 2008 -, não dei por que tivessem produzido uma única reunião, um único encontro, uma única confraternização, uma única acção cívica. Nesses dois anos, apenas o PS/Quarteira deu um «sinal de vida»: o acto eleitoral para um Congresso, para o qual ninguém convidou os militantes, nem lhes explicou para que servia.
Eram estruturas mortas que, percebi então, se constituíam com pessoas cujo único incentivo se resumia aos actos eleitorais. A minha entusiástica adesão, afinal, estava condenada a ver passar quatro anos de inactividade política até um novo período eleitoral autárquico.
Para aumentar o meu desconforto e desilusão, aqueles que, em dois anos, não tinham «feito» um único militante, retiveram, durante meses a fio, um conjunto de propostas de novos militantes que eu própria, entretanto promovera.
A consciência de que era preciso fazer alguma coisa para transformar o PS local em algo mais que um aparelho eleitoral, criaram a determinação de reunir um grupo de militantes capazes de «dar a volta ao texto», trazendo as estruturas locais para a ribalta, dar-lhes visibilidade, aproximá-las das pessoas e, acima de tudo, reunificar a «família socialista quarteirense » que, nas eleições de 2005, se cindira por razões de interesses e desavenças pessoais.
Feito o convite a todos os militantes inscritos que conhecíamos, organizámos, então uma lista de consenso, para a qual, como é natural, apenas não convidámos aqueles que considerávamos – e consideramos - responsáveis pela inércia e abandono a que o PS local fora votado.
Apresentámos um programa, reunimos as pessoas dispostas a colaborar e avançámos com listas para o Secretariado da Secção e para a Mesa da Assembleia - Geral de Militantes.
Tombava assim a «tradição»: emergia uma data de gente que não pertencia às elites e, ainda por cima, liderada por uma mulher.
Caiu o Carmo e a Trindade: as mesmas pessoas, agindo como se donos e herdeiros desses mesmos lugares fossem, clamaram em céus e em terra que não podia ser, que elas teriam de estar nos órgãos do Partido. E isto com a cobertura e incentivo do próprio presidente da Comissão Concelhia, o primeiro que deveria ter reconhecido a necessidade de mudança.
E então foi vê-los numa azáfama «unificadora», cada um por sua vez, a tentar demover-nos da nossa iniciativa: o presidente da CPC, o presidente da Mesa da AGM e o coordenador do Secretariado e mais uma outra personagem das antigas estruturas, que muito diligente e insistentemente, prezava essa necessidade de unicidade e coesão – o mesmo que, por sinal, se apresenta agora como candidato a coordenador do Secretariado, sem que tenha tentado, desta vez, pôr em prática essa… determinação de unidade e coesão.
A minha condição de mulher foi, sem dúvida, uma «afronta» para os tradicionais «senhores do partido», chegando ao ponto de me ter até sido observado, se eu pensava que coordenar uma Secção local do Partido Socialista era o mesmo que organizar «chazinhos e bailaricos».
Ameaçaram-me», então, de que iriam constituir uma lista concorrente. Era um direito, que nós – os elementos que constituíamos a lista por mim impulsionada – entendemos ser legítimo e compreensível, num partido aberto, moderno e democrático.
Ao que se soube na altura, não conseguiram encontrar um número mínimo de pessoas que apoiassem o seu projecto e, assim, fomos às eleições internas com a nossa lista; única e integrando as sensibilidades desavindas nas «autárquicas» de 2005.

Mais de meia centena de reuniões marcaram o trabalho, o ritmo, as decisões e
as iniciativas, durante quase dois anos de mandato. Obrigado a todos. - Hortense
Eleitos, pois, sem oposição, propusemo-nos, então, levar por diante o programa que tínhamos apresentado “em total sintonia com a Moção Política de Orientação Nacional que vencera o último Congresso Nacional do Partido Socialista” (ver caixa).
Como se percebeu logo, nada disso agradava nem aos «apeados» de cargos, que entendiam serem de sua posse «por direito divino », nem ao próprio presidente da Concelhia, talvez porque temesse comparações. E então começou uma guerra surda de boicotes, de resistências - boicotes que, na última reunião da CPC realizada foram publicamente confirmados pelos que os levaram à prática.
Não tardou muito que, com a bênção do próprio presidente da CPC – que deveria ter tido uma posição de liderança imparcial - se começasse a desenhar uma estratégia divisionista, ao encorajar uma lista concorrente ao Congresso Federativo, quando a lista proposta pelo Secretariado estava aberta, para possibilitar uma lista única.
E, uma vez mais, volta a ser o presidente da Concelhia a propor para a Comissão Federativa apenas os elementos dessa «sua» lista, relegando para a posição de suplentes os delegados eleitos pela lista unitária proposta pelo Secretariado.
E assim chegámos a umas eleições autárquicas, nas quais me propus concorrer à Junta de Freguesia, objectivo de que, por habilidades e estratagemas anti-estatutários, me vi arredada.
Mais estranhamente, o Secretariado viu-se, ele próprio, olimpicamente ignorado de toda a campanha eleitoral, cujos resultados foram o que se viu: os piores de sempre para o Partido Socialista, em todo o concelho.
Curiosamente, já após este desastre eleitoral, surgiu na cena quarteirense um clube, tal como previsto estatutariamente, e cujos objectivos se anunciaram como sendo “o debate e reflexão junto da sociedade civil geral e quarteirense bem como dos militantes socialistas, sobre todo um conjunto de questões políticas relativas aos desafios colocados a toda a sociedade e a Quarteira na actualidade, promovendo sempre o espírito de participação cívica e política junto dos quarteirenses”.
A saber: durante dois anos, nenhum dos promotores deste clube participou em qualquer – uma só que fosse – das actividades de participação cívica ou interacção com a comunidade desenvolvidas pelo Secretariado da Secção (*) e quanto aos “desafios” colocados a “Quarteira na actualidade”, nem uma vez sequer qualquer deles esteve presente a uma que fosse, das Assembleias de Freguesia realizadas nos últimos quatro anos.
Nem vale a pena conjecturar sobre que outros motivos estão por detrás da criação deste mesmo clube de «participação cívica», entre cujos impulsionadores sobrepujam: o ainda presidente da Concelhia e o actual candidato a coordenador do Secretariado de Quarteira, cuja participação cívica em actividades do PS, em dois anos, foi nula.
(*) – Devo aqui, porque é justo que o faça, prestar homenagem a Ezequiel Tomás, a excepção que confirma a regra, já que esteve presente em muitos dos actos cívicos, políticos e de aproximação à comunidade que, neste meu mandato, o Secretariado promoveu.
Nesta foto, divulgada pelo clube, verifica-se que
nenhum destes elementos participou em qualquer
actividade promovida pelo Secretariado da Secção
E chegamos ao momento de escolher novos corpos gerentes para a Secção do PS/Quarteira.
Foi fácil organizar listas completas tanto para o Secretariado como para a Mesa da Assembleia-Geral. Apenas não foi convidado para reintegrar as listas anteriores o presidente da Mesa da Assembleia-Geral, pela simples razão de que, bizarramente, nunca facilitou o trabalho do Secretariado, nunca participou em qualquer actividade para que foi convidado e nem sequer, durante os dois anos de mandato, promoveu qualquer das reuniões ordinárias semestrais a que os Estatutos do PS obrigam (ponto 1. do artigo 34º). Desmereceu, por isso, a nossa confiança e, deste modo, não faria qualquer sentido formular-lhe convite para integrar uma equipa onde nunca soube ou se quis integrar.
Vinte e quatro militantes declararam aceitar a integração das listas – o máximo que os estatutos do Partido prevêem.
Mas o Secretariado deparou-se com uma dificuldade: a minha indisponibilidade para ocupar o cargo de coordenadora.
Razões pessoais – académicas e profissionais – obrigam-me a um período de mais ligeiro ritmo do trabalho.
Além disso, a indefinição do futuro da Comissão Política Concelhia abre posições de expectativa que é necessário previamente clarificar. A Comissão tem de ser presidida por quem tenha capacidade de verdadeira liderança, uma visão liberta de interesses pessoais e uma personalidade capaz de criar mais consensos que dissensões.
Acima de tudo, essa Comissão tem de funcionar - com trabalho, com persistência e determinação na prossecussão de objectivos ambiciosos e no cumprimento estrito das regras estatutárias.
Antes dessa clarificação, qualquer determinação arriscará sempre ver-se afastada dos verdadeiros e sãos objectivos políticos, sociais e partidários.
Acresce que, entre os que aceitaram integrar as listas, não foi possível encontrar, consensualmente, um militante disponível para o cargo de coordenador que eu deixava vago e, por isso, preferimos deixar a oportunidade aos que agora surgem dispostos a enfrentar outro rumo – esperando que não seja o mesmo rumo que o candidato a coordenador já seguiu no período em que, anteriormente, integrou os mesmos corpos gerentes.
Resta dar resposta aos que se interroguem sobre a razão por que concorro agora ao lugar de presidente da Mesa da Assembleia-Geral de Militantes.
A resposta é simples e linear: para que não seja a incapacidade, a incúria e o desrespeito pelos Estatutos do Partido Socialista que se apoderem do seu funcionamento – o que estaria em risco com o mesmo presidente que demonstrou, nos dois anos do nosso mandato, não estar à altura da responsabilidade do cargo.
A nossa presença na Mesa da Assembleia Geral, garantida pelos Estatutos - será o garante de que o funcionamento desta assembleia cumprirá os seus objectivos e obrigações estabelecidos nos artigos 30º, 33º e 34º dos Estatutos, designada e especialmente a “definição, execução e divulgação da sua orientação política a nível local, sectorial e temático, respectivamente”.
Uma palavra final para os que, ao longo destes dois anos deram o seu trabalho, a sua cooperação e a sua compreensão para que este Secretariado pudesse ter posto em prática – contra ventos e marés e quase integralmente – o programa com que nos apresentámos em 2008 perante os nossos Militantes.
Por fim, resta-me desejar felicidades e trabalho profícuo aos órgãos que vierem a ser eleitos para o biénio 2010 / 2012.
HORTENSE MORGADO, Coordenadora do Secretariado da Secção de Residência de Quarteira, que hoje cessará funções
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OBJECTIVOS 2008
Foram estes os objectivos com que nos propusemos à eleição para o Secretariado da Secção de Quarteira do Partido Socialista, em 2008:
• Reestruturar a secção, estimular o orgulho e vontade de ser socialista;
• Revitalizar os métodos de gestão de pessoal, recursos e intercomunicabilidade;
• Reaproximar a secção dos militantes;
• Estabelecer confiança, estreitando os laços entre os órgãos da secção e os militantes;
• Desenvolver processos para angariar novos militantes;
• Desenvolver acções que dignifiquem a secção: sessões de informação, seminários de reflexão/formação, actividades sociais e culturais;
• Desenvolver as relações de comunicação, designadamente através da informação regular sobre a vida do Partido e das actividades de âmbito local, regional e nacional;
• Encontrar formas que permitam a abertura e manutenção de uma sede própria.
Objectivos quase integralmente cumpridos.
Ficou-nos o desgosto de não termos concretizado a abertura da sede – o que esteve prestes a acontecer, já que tivemos a garantia do empréstimo até ao momento em que “alguém” teve condenáveis argumentos para fazer com que o «emprestante» voltasse com a palavra atrás.
Que fique a pesar «na consciência do seu socialismo» (?) à alma caridosa que encheu de receios quem nos queria ajudar!
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Opinião
leis da rolha não são só dos outros…
Por: ALCINO CARDOSO, militante nº. 21 492, membro do Secretariado 2008/10
No final de um mandato cumpri com gosto e no qual empenhei as minhas melhores capacidades, não posso deixar de recordar e lamentar a forma como este Secretariado foi tratado, particularmente pela Comissão Política Concelhia de Loulé, que nunca nos perdoou a ousadia de termos concorrido com uma lista que lhe não agradava e que, ainda por cima, era presidida por uma mulher.
Um dos primeiros objectivos do Secretariado era a abertura à população, mas ainda mal tínhamos tomado posse e já o senhor presidente da Concelhia nos puxava as orelhas por termos tido o atrevimento de criar um blog e uma newsletter e, ainda por cima, termos tornado pública uma acta na qual se não tratavam, como é evidente, de assuntos reservados ou confidenciais do Partido.
Tempos depois, um outro membro da mesma Concelhia teve o desplante de me repreender (e repreender os meus «cabelos brancos»), por eu ter publicado uma opinião pessoal, num artigo da nossa newsletter.
Tinha ficado esse membro da CPC muito incomodado por eu me ter referido aos elementos dessa Concelhia chamando-lhes «um grupo de senhores» e acrescentando que «se movem por interesses que não me parecem ser, com certeza, os de Quarteira».
Essa «repreensão» traduzia a interpretação que o referido membro da Concelhia entendia ser o meu «direito de manifestar livremente» (palavras dele, na carta da reprimenda).
Mas o tempo se encarrega de pôr tudo nos respectivos lugares: por um capricho do destino, seria esse mesmo «repreensor» que acabaria por abandonar a dita Concelhia no momento que se revelaram… quais eram os verdadeiros interesses que o moviam, e que ao que se soa, não eram nem os de Quarteira, nem os do PS.
Deus escreve direito por linhas tortas. Eu, pelo contrário, saio mais amigo dos meus camaradas do Secretariado do que quando entrei.
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um adeus com honra
Por: MÁRIO GUERREIRO, militante nº. 42887 e membro do Secretariado 2008/10
No trabalho desenvolvido por este secretariado que agora termina funções, fica bem patente que o caminho idealizado e por nós seguido foi o de colocar no centro da nossa trama de decisão e em primeiro lugar, as pessoas; pois elas são a estratégia viva e o sucesso de qualquer iniciativa.
Fica-nos o sentimento de que conseguimos reunir um grupo com identidade, cultura, urbanidade próprias, apesar de um outro grupo… «familiar de interesses», nos tentar silenciar, barrar a acção e a iniciativa e de nos empurrar, impondo-nos o conflito politico e de actos, recusando, sistematicamente e de forma generalizada, aceitar uma outra forma de ser, estar e liderar.
Nessa ânsia de destruir o que íamos tentando construir, demonstraram realmente que os seus processos sempre foram de orientação irracional, selectiva, familiar e artificial, enquanto se iam arrogando de detentores de idoneidade e autores de serviços prestados, ao invés de proporcionarem a possibilidade da renovação de procedimentos políticos e intelectuais.
Pela nossa parte, fica-nos o vivo prazer de termos cumprido a maior parte dos objectivos a que nos propuséramos, com determinação e espírito de bem servir. E sempre no rigoroso cumprimento da Lei.
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Saudações Socialistas. Até breve.
F I M
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